Educar desde a infância contra a violência de género

A prevenção da violência de género deve ser feita na infância, momento em que as crianças aprendem, através dos modelos que observam, diferentes comportamentos. As crianças devem receber ferramentas que lhes permitam compreender e agir sabendo que meninos e meninas são diferentes, mas que os seus direitos e as suas oportunidades devem ser iguais. Desde cedo, as crianças absorvem estereótipos que precisam de ser evitados através de estratégias lúdicas que promovam uma aprendizagem mais saudável.

A Educação Pré-Escolar é, por isto, um espaço privilegiado para a experiência de diferentes papéis que se fazem em todas as brincadeiras entre pares. Para isso os/as profissionais de educação devem estar preparados/as, enquanto figuras de referência, para a promoção destes espaços de igualdade e de equidade. A forma como meninos e meninas ainda são educados/as de forma diferenciada, contribui para a aquisição de preconceitos que podem vir a condicionar o seu comportamento. Continua a esperar-se que as meninas sejam mais sensíveis, mais delicadas, mais bonitas, mergulhando-as num universo cor de rosa, castrador, do qual os meninos são consecutivamente afastados. A coibição das emoções e a valorização de umas em detrimento de outras pode estar na base da repressão e de alguns comportamentos mais agressivos. Urge que, na infância, a educação facilite a experimentação de diferentes papéis e de diferentes significados, de forma livre, sem condicionamentos pelo seu sexo ou pelo seu género. No seu livro “Os meninos são a cura do machismo” a jornalista Brasileira Nana Queirós reflete sobre a forma como os meninos são educados e de como isso os coloca, também, em perigo. Nenhuma criança nasce violenta, mas o meio a que é exposta contribui para isso, cada vez mais. A forma como as crianças brincam e até os materiais que lhes são proporcionados pautam, já, uma enorme desigualdade, encaminhando as meninas para um universo de vulnerabilidade e os meninos para a luta de poder, pelo que estas diferenças precisam de ser anuladas através de uma educação mais refletida. As/os profissionais em educação de infância parecem estar pouco conscientes da influência que os estereótipos de género têm no comportamento das crianças, não reconhecendo, ainda, a importância de uma educação não sexista.  Se durante a infância as crianças são expostas a modelos pouco saudáveis irão, com mais facilidade, reproduzi-los nos seus comportamentos e relações.

Educar para a igualdade de género, desde a infância, pode e deve ser um investimento nas  políticas de prevenção da violência baseada no género, devendo, desta forma, investir-se na capacitação das pessoas que educam formal e informalmente, profissionais, famílias e comunidade.

Vânia Beliz,

Psicóloga, Sexóloga e Doutoranda em Estudos da Criança na Especialidade de Saúde Infantil