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FEM nas escolas !
  • IGUALDADE contra o CONSERVADORISMO
    Comemoramos neste ano os 50 anos do 25 de Abril. Muito mudou em Portugal desde então nas vidas das mulheres e muito está ainda por conquistar. Com o 25 de Abril as mulheres saíram à rua e os direitos alcançados foram obra sua - das creches ao direito ao divórcio, da luta pela despenalização do aborto à participação política - tantas e tão variadas lutas que se prolongaram por estes 50 anos e ainda hoje esão na ordem do dia. As associações de direitos das mulheres, entretanto criadas, contribuíram e contribuem para colocar na agenda política a igualdade entre mulheres e homens e as revindicações feministas para uma sociedade sem discriminações e sem violência. Hoje constatamos que há quem queira fazer retroceder a História da Humanidade e das mulheres em particular. E nada melhor que fazer passar a ideia de que as políticas públicas para a Igualdade sáo um luxo e um sorvedouro de dinheiro. A FEM - Feministas em Movimento - repudia este pensamento que mais não visa que culpar as mulheres e confiná-las a uma posição subalterna, refletindo o conservadorismo e o atraso que era o retrato de um Portugal antes do 25 de Abril a que não queremos regressar. Rejeitar a Igualdade de Género é apoiar as discriminações, é rejeitar o combate à violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os/as idosas. Todos os dias há quem não poupe esforços nem energia neste combate de civilização, nomeadamente as muitas associações onde a FEM, com orgulho, se situa. Continuaremos a luta contra a violência contra as mulheres e doméstica, pela igualdade salarial, contra a homofobia e a transfobia, por uma vida digna para todas as pessoas. A luta pela Igualdade de Género e pelos direitos é uma luta com muito caminho por fazer e de que não abdicamos.   Janeiro 2024 A Direção da FEM - Feministas Em Movimento
  • manifesto da greve feminista
    Manifesto da @grevefeminista.pt lido pelo @movimentots Sabemos que tudo o que as mulheres têm na nossa sociedade foi conquistado com o seu esforço e luta ao longo da História. Um combate que se trava também através da mudança da forma como a história nos é contada. Ainda assim, continua a ser sobre as mulheres que mais recaem as consequências da violência machista, da desigualdade económica e da crise de cuidados de um sistema capitalista, racista, colonial, capacitista, hetero-cis-sexista. O poder patriarcal quer silenciar-nos e invisibilizar-nos nas várias esferas da nossa vida individual e coletiva, seja nas ciências, no desporto, na cultura, na política. Nós, as que somos mulheres lésbicas, mulheres trans, homens trans, pessoas não-binárias, trabalhadoras do sexo, pessoas racializadas, pessoas com deficiência, encontramos ainda mais barreiras à nossa liberdade, ao nosso direito a uma vida autodeterminada. Só uma luta unida, coletiva e contínua defende e aprofunda as nossas conquistas perante tal cenário histórico e o que se vem desenhando a partir da crise socioeconómica e das ondas reacionárias e antifeministas que se levantam. É por isso que continuamos a estar nas ruas pela defesa dos nossos direitos, por uma vida digna, por uma vida que valha a pena ser vivida. Reivindicamos a plena aceitação da diversidade humana, a autodeterminação, a defesa contra a violência, o direito aos cuidados, o direito sobre os nossos corpos e direito ao prazer, o acesso à saúde sexual e reprodutiva, o reconhecimento do trabalho informal e o fim da precariedade à qual nos submetem constantemente. Somos coletivos e associações do feminismo interseccional e acreditamos que as pessoas exploradas e oprimidas são as protagonistas das suas próprias causas, vidas e experiências. Acreditamos na força de uma unidade feminista que amplie todas essas vozes! Sabemos que, se as mulheres param, o mundo pára. Juntemo-nos para partilhar as nossas lutas! Juntemo-nos para sobrepôr as nossas vozes àquelas que nos tentam calar! ✊🏿✊🏼 #GreveFeminista2022 #8Marco2022 #SeNosParamosOMundoPara
  • 8 de Março – Resistir à guerra – Lutar pela Paz
    Num mundo assolado por uma pandemia que ainda não terminou, que se arrasta desde há dois anos e cujos efeitos nas vidas das mulheres se fizeram desde logo sentir e que irão persistir, vivemos actualmente os primeiros dias de uma guerra inimaginável na Europa, já insuportável no presente e cujas consequências, a nível mundial, são imprevisíveis. Nós, feministas, nunca apoiámos a guerra, venha ela de onde vier e fomos sempre obreiras da Paz. A guerra é totalmente incompatível com os valores e princípios das feministas e do movimento feminista. As experiências da História dizem-nos que as guerras trazem sempre retrocessos nas conquistas e nos avanços em termos de direitos humanos; tornam as desigualdades maiores, acicatam os traços de violência de género a níveis intoleráveis tornando os corpos das mulheres despojos de guerra, a pobreza torna-se endémica, a vida deixa de fluir de forma normal e tudo deixa de fazer sentido. A voz da guerra é a negação da vida humana e as mulheres e as crianças, assim como os/as idosos/as e as pessoas com vulnerabilidades são as que sofrem mais intensamente com ela. Neste 8 de Março, dia em que lutamos na rua pelo muito que há a fazer, mas também celebramos as imensas conquistas das mulheres e do movimento feminista, nós, feministas, não podemos deixar de juntar o nosso clamor às mulheres de todo o mundo, não esquecendo as mulheres ucranianas e russas que se opõem à guerra. Quando o agressor invoca “os valores tradicionais” que quer defender quando invade a Ucrânia, sabemos o que isso quer dizer: violência sobre quem se lhe opõe, defesa dos valores do sistema patriarcal e hetero-normativo, ou seja, a manutenção da desigualdade de género e a opressão das mulheres. Neste 8 de Março, nós, feministas, temos que juntar as nossas vozes e as nossas forças mostrando que queremos a Paz, que nos opomos à guerra, ao militarismo, ao autoritarismo e ao patriarcado. Hoje, mais do que nunca, quando o mundo avança para uma guerra insuportável, nós, feministas, temos de nos unir e juntar forças para parar a guerra. Neste 8 de Março, a FEM – Feministas em Movimento junta-se às mulheres de todo o mundo na luta pela paz e na resistência contra a guerra. Viva o 8 de Março! Sim à Paz! Não à Guerra!
  • nota de pesar – Odete Santos
    A FEM - feministas em movimento - assinala o falecimento de Odete Santos (n. 26 de abril de 1941). Advogada, escritora e atriz, Odete Santos destacou-se notavelmente pela sua atuação política, tendo sido deputada do Partido Comunista entre 1980 e 2007. Foi uma corajosa defensora da despenalização da interrupção voluntária da gravidez e dedicou-se incansavelmente à luta pela igualdade e emancipação das mulheres, tornando-se uma figura proeminente nesses movimentos. A palavra "coragem" destaca-se ao descrever a sua atuação feminista. O seu legado inclui, ainda, contribuições significativas nas áreas da Justiça e Cultura.
  • Violência Doméstica Contra as Mulheres: A perpetuação de obstáculos
    A Violência Doméstica é um problema complexo e real presente a cada dia na vida de mulheres e crianças em todo o mundo, atingindo-as de forma transversal e desproporcional. Atinge os seus quotidianos e todas as esferas das suas vidas: pessoal, familiar e laboral, impactando negativamente. Urge, embora os esforços realizados até à data, apostar na promoção da igualdade entre mulheres e homens e no combate à violência, por via não só da intervenção no âmbito desta problemática, assim como na prevenção primária do problema. Trata-se de um fenómeno que, para além das repercussões a nível psicológico e físico para as vítimas, na sua esmagadora maioria mulheres, viola os direitos e as liberdades da pessoa humana. No âmbito da intervenção e acompanhamento com mulheres vítimas de violência doméstica são visíveis as desigualdades e o patriarcado enraizado, ainda em pleno século XXI. Face ao mesmo, são diversos os obstáculos com que se deparam no dia-a-dia e que se somam às múltiplas violências que contra elas são exercidas, incluindo violência institucional. De facto, os esforços realizados no sentido de evitar a revitimação nem sempre se concretizam. A exemplo, veja-se o que acontece face à decisão de apresentar denúncia do crime; identificam-se vários momentos em que a vítima tem que recontar a sua história e reviver a sua situação de violência: momento de apresentação da denúncia; inquirição no âmbito da investigação criminal; possível inquirição no âmbito de diligência pelo Ministério Público; audição em diligência de declarações para memória futura, e em alguns casos, ainda assim, audição em sede de julgamento. Esta é uma situação que as revitimiza, cansa e desespera, levando-as muitas vezes a desacreditar no sistema, no geral. No mesmo sentido, o Estatuto de Vítima (Lei 112/2009, de 16 de Setembro) atribuído e que lhes consagra direitos e deveres, mostra o quão ineficaz este sistema é. Uma vez mais assiste-se a um fosso entre a previsão formal e a concretização material desses direitos. Apesar do longo percurso percorrido na luta contra a discriminação e pela não violência, o que diariamente confirmamos é que longo é ainda o percurso quanto à efetivação dos direitos das mulheres.   Lúcia Osório Psicóloga, licenciada em Psicologia Criminal, Pós-graduada em Psicologia Forense, Mestre em Psicologia Jurídica. Técnica de Apoio à Vítima na Lisboa + Igualdade: Atendimento e Prevenção da Violência Doméstica, sob gestão da FEM. Perita no Laboratório de Ciências Forenses e Psicológicas Egas Moniz. Tem publicações nacionais e internacionais sobre violência na intimidade nos relacionamentos homossexuais gays e lésbicos.
  • A atualidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos
    Hoje, parece um paradoxo falarmos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, quando assistimos diariamente às mais bárbaras violações do que aí foi escrito há 75 anos. Acreditou-se então que era impossível repetir crimes hediondos contra a humanidade e que produzir essa Declaração seria o compromisso para uma nova era.  Nos anos 40 do outro século muitas atrocidades só foram conhecidas depois da guerra. Mas hoje, assistimos ao genocídio em horário nobre, pelas televisões. Vemos pessoas desesperadas a procurar familiares debaixo dos escombros, homens a correr para um hospital com um corpo ensanguentado nos braços, mulheres a chorar porque perderam toda a família, um bebé sobrevivente mas sem nenhum familiar vivo, valas comuns carregadas de corpos! E ainda há quem fique indignado por se falar em genocídio. Todos os dias os números crescem. Mais de 11 mil palestinianos mortos em meados de Novembro, dos quais 4.506 eram crianças.  Os hospitais como alvo! Estimavam-se 50 mil grávidas na Faixa de Gaza e estavam a chegar 180 mulheres por dia para dar à luz. A UNICEF e o Fundo das Nações Unidas para a População em comunicado conjunto relatava:  “Algumas das mulheres estão a ter de dar à luz em abrigos, nas suas casas, nas ruas, no meio dos escombros, ou em instalações  de saúde sobrelotadas onde as condições sanitárias estão a degradar-se e está a subir o risco de infecções e complicações médicas.” Em 35 hospitais, 21 estavam totalmente encerrados. Devido ao ataque sistemático aos hospitais sobrelotados, bem como devido à absoluta insegurança mesmo das pessoas deslocadas, o stress provocou o aumento dos abortos, dos nados-mortos e dos nascimentos prematuros. A escassez de alimentos, de medicamentos e de água potável configuram uma tragédia para um povo que há décadas tem sido espoliado do seu território e dos direitos mais básicos, os tais direitos humanos universais.  Não há palavras para tal monstruosidade. Estão em causa todas as Convenções Internacionais que dão protecção a civis e o Direito Internacional que regula a guerra… Há que saudar a coragem de António Guterres que fez ouvir a sua voz para denunciar o genocídio. Há que saudar os povos que pelo mundo têm vindo para as ruas, apelando ao cessar fogo e à paz. Alexandra Lucas Coelho, em artigo do “Público” de dia 3 de Novembro dizia: “Não ficarmos impotentes é também questionar quem governa.” Hoje dia 10 de Dezembro, a obrigação é falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos para que ela seja lei e não deixar de denunciar todos os atropelos pelo mundo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não pode ser letra morta.  10 de Dezembro de 2023  Almerinda Bento Membro da FEM, Professora aposentada, Feminista,  Sindicalista
  • E ainda há tanto caminho para andar
    Ao chegar a casa com a hora de Jantar já passada, liga-me a Almerinda com um pedido: “vou-te chatear!” Então venha lá esse pedido. E assim, à medida que ia elaborando o pedido para escrever um texto sobre Mulheres Género e Sexualidades para assinalar o 25 de Novembro, a minha cabeça começava a trazer recordações e a tentar pensar: o que escrever, sobre o quê, identificação das discriminações como ferramenta para fazer diminuir a Violência? Depois do jantar, o FB apontou-me a direção, ao relembrar uma publicação de há 5 anos sobre 11º Encontro da Marcha Mundial das Mulheres(MMM) e que marcou os 20 anos desde o primeiro encontro, em 1998, no Québec. Decisão feita! Nada como revisitar o “Guia dos direitos das mulheres: pobreza e violência”, editado pela Plataforma Nacional da MMM 2000.  Foi realizado um trabalho exaustivo pela plataforma, no sentido de criar uma brochura com 6 capítulos, em que foram elencadas várias temáticas dos direitos das mulheres. No entanto, só parte de dois e com poucas páginas, foram dedicados a discriminações em função da orientação sexual. Parece pouco, mas foi um grande esforço e pressão exercida quer por representantes do Grupo de Mulheres da Associação Ilga-Portugal, quer pelo Clube Safo, sobre a quase totalidade dos coletivos que integravam a MMM. Foi introduzido o debate sobre a orientação sexual e a não discriminação das lésbicas de uma forma aberta e sem preconceitos.  Mas a questão fundamental é saber se assistimos hoje a um integrar, ou mesmo a uma interiorização, da temática sobre a não discriminação em função da orientação sexual nas agendas de coletivos feministas. Será que a identificação das várias discriminações de que sofrem as lésbicas está interiorizada no dia-a-dia e nas agendas desses coletivos? Folheando o Guia, podemos identificar bastantes avanços a nível legislativo relativamente aos direitos das mulheres, tais como o direito ao aborto, princípios de não discriminação no código do trabalho, direitos parentais entre muitos. No entanto, será que todas estas altercações legislativas são um garante de igualdade e de não violência sobre as mulheres e mais concretamente sobre as mulheres lésbicas?  Numa análise da legislação mais recente é possível observar que muito ainda está por fazer, pois não existe legislação que contemple expressamente a não discriminação com base na orientação sexual e no sexo no que respeita à proteção social, à cultura, à educação, à saúde entre outras. A legislação não acaba por si só com a discriminação, mas dá ferramentas para a combater! Luísa Corvo logo do início de 60,com formação em Química/Bioquímica e doutoramento em Farmácia. Feminista e ativista convicta (igualdade de género e direitos das mulheres). Com um percurso iniciado nos anos 90, com a Revista Lilás, e duas décadas de Associação Ilga Portugal com participações ativas em várias plataformas como por exemplo, a Marcha Mundial das Mulheres e a Plataforma Direito de Optar. 
  • O nosso ponto de encontro chama-se solidariedade
    O mês de Novembro traz consigo 16 dias para destacar o ativismo contra a violência sobre as mulheres. Trata-se de uma iniciativa da ONU para dar maior visibilidade a esta luta, uma luta diária, em todos os continentes, em todos os países. As disparidades sobre as condições de vida das mulheres são enormes, sejam elas económicas e sociais, sejam no campo dos direitos humanos. Estes 16 dias de ativismo colocam o foco na violência sentida pelas mulheres por serem mulheres – da violação à violência conjugal, do assédio às restrições da liberdade no acesso ao trabalho, à educação, à cultura, como vivem a sexualidade, na forma como se vestem, como socializam. E apenas e só porque são mulheres. Já era tempo de termos ultrapassado estas situações de opressão, já era tempo da igualdade de direitos entre mulheres e homens ser uma coisa normal, fazer parte do dia a dia dos países, dos povos, ser um facto indiscutível da civilização. Mas não. Continuam a existir situações a que não devemos fechar os olhos que violentam mulheres e meninas diariamente. Do Irão tem-nos chegado o exemplo de uma luta corajosa de quem se ergue contra a opressão mesmo correndo o risco de vida. Da Ucrânia chegam relatos de violações de mulheres, na Palestina as mulheres resistem nos escombros dos bombardeamentos, da América Latina vem o entusiasmo pelas conquistas no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, nomeadamente o direito ao aborto em alguns países (finalmente!). O século em que vivemos, o XXI, iniciou-se sob a égide da luta das mulheres. Foi no já longínquo ano de 2000 que teve lugar a Marcha Mundial das Mulheres com realizações em todos os continentes e em muitos países. Os seus objetivos mantêm-se dramaticamente atuais – a luta contra a pobreza e a luta contra a violência sobre as mulheres. Mas este movimento também mostrou como a luta feminista, a luta dos movimentos de mulheres, não fica dentro das fronteiras do país onde ocorre, bem pelo contrário, origina movimentos de apoio e solidariedade muito variados, que interagem entre si e não raras vezes criam outras dinâmicas. Quando recordamos a greve das mulheres islandesas, realizada há 40 anos, por salário e direitos iguais e a forma como pararam um país, percebemos como a solidariedade e a união são fundamentais. Estes 16 dias de ativismo também servem para isso – ponto de encontro das muitas lutas nos vários pontos do Mundo. Solidárias com todas, não deixemos nenhuma mulher para trás! Helena Pinto animadora social, feminista
  • Conquista de direitos – ativismo e academia
    O ativismo surgiu, na minha vida, no último ano da licenciatura, quando se proporcionou seguir uma cadeira sobre mulheres e sociedade. Enveredei depois por um mestrado em estudos sobre género e, em 2002, comecei a trabalhar numa ONG de defesa dos direitos das mulheres. Entusiasmada com a luta coletiva e cheia de vontade de ir para a rua gritar e reclamar direitos iguais, rapidamente percebi quão difícil era mobilizar para ações contra a violência contra as mulheres. No início deste século, o 25 de novembro não era uma data mediatizada. As primeiras ações de rua nas quais participei na Baixa de Lisboa não reuniam mais do que um punhado de mulheres e os homens não eram ainda vistos como aliados. A ocupação do espaço público com um tema considerado (então) do foro privado, bem como a visibilidade das organizações que defendem os direitos de mulheres e crianças estavam longe de terem a legitimidade que vieram a alcançar na última década. Neste aspeto, o ativismo feminista beneficiou muito com a chegada a Portugal de mulheres latino-americanas e europeias com larga experiência de luta nos seus países. Profissionalmente, segui um caminho que me foi distanciando destes coletivos, sem nunca, porém, me afastar da causa feminista. As aprendizagens feitas nos vários coletivos formais e informais nos quais participei ao longo de quase uma década foram muito úteis no percurso que trilhei na década seguinte. Consciente das persistentes desigualdades de género, não raras vezes insidiosas, nunca despi a camisola de ativista. Não me juntei a nenhum coletivo nos últimos anos, por ser difícil conciliar compromissos profissionais, parentais e cívicos, mas prossegui com o ativismo a uma escala mais pequena, por vezes mesmo individual. O ativismo traduz-se numa certa forma de estar na vida e, simultaneamente, no mundo académico. Reflete-se nas escolhas que fazemos diariamente relativamente à forma como escrevemos (a preocupação com a linguagem inclusiva, por exemplo), nos temas aos quais escolhemos dar visibilidade e discutir, nas pessoas que convidamos para integrar os eventos que organizamos, nas autoras que incluímos nas referências bibliográficas dos textos e aulas. Trata-se, em suma, de uma postura de questionamento do viés androcentrico que resulta numa ciência comprometida, qualquer que seja a disciplina ou o objeto de estudo. Nada disto é óbvio ou fácil, ainda há muitas resitências. Há, por isso, que ocupar o espaço de manobra possível nos lugares onde nos movemos, se queremos um dia mudar o paradigma. Liliana Azevedo socióloga, investigadora integrada no CIES-Iscte
  • Numa guerra, será que sou cigarra ou sou formiga?
    (Ensaio feminista sobre mulheres e guerra) Estávamos todas sentadas à sombra de um grande cajueiro. O dia estava muito quente, muito quente mesmo. Eram umas 11h da manhã. A hora do maior calor. Levámos água e bolachas pois sabíamos que estaríamos dispostas a conversar por várias horas. Éramos todas muito diferentes: camponesas, deslocadas, professoras, trabalhadoras, pesquisadoras, activistas, artesãs, vendedeiras; mais velhas, mais novas, umas mães, outras não, algumas avós; dizemos obrigada de muitas maneiras: ndilombolela, kihosukuro, khanimambu, asante; algumas gostam de cobrir a cabeça com capulana, outras usam chapéu, outras deixam o cabelo ao vento cortado curtinho, amarrado em tranças ou arranjado com mechas longas. Importaram pouco as nossas diferenças à sombra do grande cajueiro naquele dia. Pelo menos pareceu-me assim. Todas éramos formigas. Pelo menos, pensava eu, que éramos todas formigas. Mas agora pergunto-me muitas vezes: será que eu sou formiga? Todas nós queríamos falar de nós e das nossas vidas que afinal se cruzam com as vidas de muitas outras mulheres que nós conhecemos e, até, com a vida de outras que nós nunca vimos mas sentimos que fazem parte dessa nossa irmandade que os sofrimentos comuns parecem engendrar. No início, a vontade de falar era tanta que nos atrapalhámos um pouco umas às outras mas, rapidamente, sobrevieram os silêncios, cada vez mais profundos, dependendo da intensidade da dor. Parecia, como nos contou a Latifa (e claro que este nome foi arranjado agora), que estávamos num buraco de fogo onde tínhamos sido condenadas a morrer. Mas de cada vez que uma de nós falava, era como a saliva do passarinho, que voava perto, e que caía no fogo e o ajudava a apagar. Percebemos que não só a nossa condenação estava condenada a não acontecer como de pingo em pingo de saliva fomos dominando o fogo até que ele se extinguiu. O meu objectivo para esta crónica era escrever um texto sobre mulheres e guerra. Porém da minha cabeça não saem nem as imagens, nem os cheiros, nem o calor, e muito menos as palavras de todas nesse final de manhã, lá em Mahate. E não me saem da cabeça porque tudo aquilo fez e faz muito mais sentido para mim do que muitos dos artigos publicados que leio e que, confesso, até gosto muito. Sou kakata: não deito nada fora, por princípio. Mas confesso que há coisas que me entusiasmam muito mais do que outras. Falámos de coisas muito tristes mas que precisam de ser faladas. Falámos de como matam as mulheres cortando-lhes as mamas, abrindo os seus ventres para lhes retirarem os fetos. Falámos de como as raptam para as obrigar a ser espias, a carregar as armas, a cozinhar, a fazer a machamba, a atender um batalhão inteiro por dia. Não preciso de explicar o que isso significa. Para elas o pudor no uso das palavras é muito importante, é sinal de respeito. Então não quero impor a crueza das palavras com que costumamos designar essas coisas. Falámos de como as dividem entre ‘Arroz Lulu’ porque são boas para comer, e as escolhem para servir como esposas de comandantes - mais uma vez, o uso das palavras é uma forma de diminuir o trauma e a vergonha. Tenham isso em atenção enquanto lerem estas palavras – e as outras, consideradas feias, são ‘mapira’ e só servem para trabalhar. Há lá coisa mais cruel do que estas qualificações? Falámos das mães que se recusam a amamentar as crianças nascidas dos estupros. Falámos do pavor de ver entrar em casa um filho que se sabe ter matado ou ter sido obrigado a comer a carne e a beber sangue humanos e que nunca mais recuperará a paz nem o sono. Chorámos quando falámos das mães que se entregam aos insurgentes para protegerem as filhas dos estupros. Falámos e chorámos dessas e de muitas outras coisas especialmente da forma como as crianças e as/os jovens estão a ser ensinadas/os a pensar que a resolução de todos os problemas se consegue com fardas, armas, obediência sem réplica e violência; os mega-projectos extractivistas e a cobiça nacional e internacional que lhes permitem transformar montanhas em pedra triturada para fazer cimento, minas em campos de concentração, campos de cultivo em crateras, bases logísticas em caminhos do mar fechados para os pescadores, as florestas em campos de refugiadas/os, as chamadas IDPs – Internal Displaced People – e assim por diante. Falámos de como a primeira vítima da guerra é a verdade, de como a guerra não terminou, só parou um pouco; como Mocímboa da Praia, não importa a propaganda, está em silêncio, não se ouve nem uma galinha, nem um cabrito e as tropas ruandesas estão encostadas à praia. Falámos de que é preciso negociar para chegar à paz e de que as Forças de Armadas de Moçambique conhecem quem está do…
[5 Fevereiro]
Ação de sensibilizção para jovens do 3º ciclo e secundário sobre violência no namoro.
Escola secundária Matias Aires Agualva, Cacém
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  • IGUALDADE contra o CONSERVADORISMO
    Comemoramos neste ano os 50 anos do 25 de Abril. Muito mudou em Portugal desde então nas vidas das mulheres e muito está ainda por conquistar. Com o 25 de Abril as mulheres saíram à rua e os direitos alcançados foram obra sua - das creches ao direito ao divórcio, da luta pela despenalização do aborto à participação política - tantas e tão variadas lutas que se prolongaram por estes 50 anos e ainda hoje esão na ordem do dia. As associações de direitos das mulheres, entretanto criadas, contribuíram e contribuem para colocar na agenda política a igualdade entre mulheres e homens e as revindicações feministas para uma sociedade sem discriminações e sem violência. Hoje constatamos que há quem queira fazer retroceder a História da Humanidade e das mulheres em particular. E nada melhor que fazer passar a ideia de que as políticas públicas para a Igualdade sáo um luxo e um sorvedouro de dinheiro. A FEM - Feministas em Movimento - repudia este pensamento que mais não visa que culpar as mulheres e confiná-las a uma posição subalterna, refletindo o conservadorismo e o atraso que era o retrato de um Portugal antes do 25 de Abril a que não queremos regressar. Rejeitar a Igualdade de Género é apoiar as discriminações, é rejeitar o combate à violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os/as idosas. Todos os dias há quem não poupe esforços nem energia neste combate de civilização, nomeadamente as muitas associações onde a FEM, com orgulho, se situa. Continuaremos a luta contra a violência contra as mulheres e doméstica, pela igualdade salarial, contra a homofobia e a transfobia, por uma vida digna para todas as pessoas. A luta pela Igualdade de Género e pelos direitos é uma luta com muito caminho por fazer e de que não abdicamos.   Janeiro 2024 A Direção da FEM - Feministas Em Movimento
[arquivo]
  • Pela habitação digna e acessível

    As dificuldades crescentes em manter ou aceder a uma habitação digna são motivo de grande preocupação para as feministas que intervêm diariamente no apoio a mulheres vítimas de violência.

    As situações são variadas, mas têm um ponto em comum – como encontrar uma casa com uma renda compatível com os rendimentos?

    Há casais que se divorciam, mas têm de continuar a viver na mesma casa, há mulheres que se mantêm em relações abusivas porque não confiam que encontrarão uma habitação para si e para os seus filhos e filhas, há mulheres que iniciaram um novo projeto de vida e correm o risco de ficar sem casa …

    A igualdade também passa por aqui ! Passa por ter a garantia que se tem direito a uma habitação – um direito Direito Humano consagrado na Constituição da República Portuguesa.

    Analisando o pacote de medidas ‘+ habitação’ apresentado pelo Governo e aprovado na Assembleia da República verificamos que as medidas que se destinam a mulheres vítimas de violência são poucas e não se sabe quando estarão disponíveis ou se dependem de investimentos das organizações não governamentais, as quais não têm meios próprios para apoiar as mulheres em matéria de soluções de habitação.

    Urgem medidas que se traduzam em rendas acessíveis, de aplicação imediata, para fazer face a uma situação já urgente e crescentemente exponenciada pela crise financeira.

    Se não for este o caminho estaremos perante o aumento de uma grave crise social com muita gente a viver em péssimas condições ou mesmo na rua. Dados do Observatório Nacional de Emergência Nacional informam que, em agosto de 2023, só no distrito de Lisboa, foram recebidos quase 300 novos pedidos de apoio por desalojamento. Ora, sabemos que as mulheres experienciam uma vulnerabilidade acrescida nesta matéria em razão da violência doméstica, por constituírem muitas das famílias monoparentais e por sofrerem discriminações salariais e dificuldades no acesso ao emprego, fatores que muitas vezes se sobrepõe.

    A FEM – Feministas em Movimento traz a público a sua preocupação com as dificuldades crescentes no acesso ao direito à habitação e apela a que não se perca mais tempo para implementar as medidas necessárias para controlar o preço das rendas e para garantir que nas novas construções se contemplarão habitações para estas necessidades.

    A Direção

  • Pelo direito ao Aborto legal, seguro e gratuito

    Pelo direito ao Aborto legal, seguro e gratuito
    No Dia Mundial do Aborto Seguro, a FEM – Feministas em Movimento junta-se a
    todas as organizações feministas, organizações de direitos das mulheres e outros
    colectivos que lutam pelo direito das mulheres ao aborto legal, seguro e gratuito.
    16 anos passaram sobre uma lei – 16/2007 – que foi um dos mais importantes
    marcos das conquistas das mulheres portuguesas do pós-25 de Abril. Uma luta
    difícil e prolongada, que permitiu às mulheres a dignidade de poderem fazer
    escolhas sobre a sua vida sexual e reprodutiva. Como todas as conquistas e direitos,
    também este, de poder abortar de forma livre e segura até às dez semanas de
    gestação no Serviço Nacional de Saúde, tem sido alvo de resistências e atropelos.
    Compete à sociedade e às mulheres, em particular, exigir que a lei se cumpra. As
    denúncias de desrespeito da lei não podem ser ignoradas. Quantas mulheres não se
    têm confrontado com a inoperância e burocracia de serviços que não lhes dão
    respostas atempadas, quando o prazo de 10 semanas, um dos mais curtos entre os
    países da Europa, é ultrapassado? Mais a mais, muitas consultas específicas têm
    fechado, à semelhança de outros serviços, reflectindo um desinvestimento no SNS
    numa área tão prioritária. Embora não retirando o direito à objecção de consciência
    por parte dos e das profissionais de saúde, denunciamos o facto de haver quem seja
    objector no público, mas não no privado! Finalmente, não podemos deixar de
    referir a necessidade de serviços inclusivos que acolham e respeitem a nova
    realidade multicultural crescente com a chegada de muitas jovens mulheres
    migrantes ao nosso país, para as quais os serviços de saúde precisam de estar
    preparados para responder aos seus direitos e às suas escolhas sexuais e
    reprodutivas.
    Face a isto, a FEM, Feministas em Movimento considera que não só é necessário
    exigir o cumprimento da lei da IVG, mas também que está na hora de a repensar,
    actualizando-a de acordo com a realidade. Tal como as suas activistas estiveram
    na linha da frente na luta pela sua promulgação em 2007, a FEM continua
    disponível para abraçar esta luta com outras associações, colectivos e pessoas
    individuais.
    A FEM – Feministas em Movimento
    Lisboa, 28 de setembro 2023 | A Direção

5 fevereiro_ ação de sensibilização para jovens do 3º ciclio e secundário sobre violência no namoro.
Com a participaçáo da Patrícia Oliveira da FEM.
Escola Secundária Matias Aires Agualva - Cacém.
23 janeiro_ a FEM dinamizou duas palestras sobre O Papell das Mulheres na resvolução do 25 de Abril, com a Drª. Aurora Rodrigues.
Escola Secundária Augusto Cabrita.
Escola Secundária dos Casquilhos.
FEM nas ruas !
| 25 de novembro
dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres
| 8 de março
dia internacional das mulheres
| 25 de novembro
dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres
| 8 de março
dia internacional das mulheres
25 de novembro 2023
  • Há compromissos políticos assumidos internacionalmente que é preciso relembrar e recolocar na agenda política dos países, constantemente. O combate à violência contra as mulheres é um deles. Resoluções, recomendações, convenções, leis e continuam a morrer mulheres assassinadas pelos seus maridos e companheiros e milhares continuam a sofrer no silêncio das quatro paredes de sua casa. A violência contra as mulheres, por serem mulheres, persiste e repete-se.

    Todos os dias percorremos o caminho da consciência coletiva de que somos vítimas de um crime quando somos agredidas, o que nos leva a não desistir, a propor novas soluções e a construir um espaço de solidariedade e segurança na sociedade. É isso que fazemos por ocasião do Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contras as Mulheres – 25 de Novembro marchando unidas pela mesma causa.

    É isso que fazemos nos 16 Dias de Ativismo – entre o dia 25 de Novembro e o dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, duas datas cujos laços são indissolúveis.

    Este ano, 2023, a FEM, Feministas em Movimento, convidou 16 mulheres para escreverem um texto sobre estas duas datas. O resultado é um conjunto de pensamentos, ideias, propostas, que por sua vez, estamos certas, despoletarão novos desafios para que não nos limitemos a assinalar a passagem de mais um ano.

    A estas mulheres juntou-se mais uma, através do seu traço e da cor com que caracteriza a imagem.

[16 dias de ativismo]
8 de março 2023
FEMFest_ Vozes de Mulheres
  • O FEMFest – Vozes de Mulheres é uma iniciativa da FEM no assinalar do 8 de março de 2023.
    Terá lugar no dia 11 de março, entre as 15h00 e as 23h00, na Fábrica Braço de Prata, coprodutora do evento.
    Programa:
    Visualização do documentário “Female Pleasure” da realizadora Bárbara Miller seguido de debate.
    Conta com a participação da realizadora e de outras convidadas, em torno das temáticas abordadas no documentário:
    • Discursividade performativa a respeito dos direitos das mulheres, das identidades, das sexualidades e dos feminismos em geral.
    No FEMFest estarão patentes exposições artísticas, entre outras iniciativas.
    • Na tenda da Fábrica Braço de Prata há um espaço de feira dedicado a associações, movimentos e ONG feministas. Se queres expor os teus materiais ou participar na feira de produtos envia-nos um e-mail para: fem@fem.org.pt
8 de março 2022
Resistir à Guerra - Lutar pela Paz
  • Num mundo assolado por uma pandemia que ainda não terminou, que se arrasta desde há dois anos e cujos efeitos nas vidas das mulheres se fizeram desde logo sentir e que irão persistir, vivemos actualmente os primeiros dias de uma guerra inimaginável na Europa, já insuportável no presente e cujas consequências, a nível mundial, são imprevisíveis.

    Nós, feministas, nunca apoiámos a guerra, venha ela de onde vier e fomos sempre obreiras da Paz. A guerra é totalmente incompatível com os valores e princípios das feministas e do movimento feminista. As experiências da História dizem-nos que as guerras trazem sempre retrocessos nas conquistas e nos avanços em termos de direitos humanos; tornam as desigualdades maiores, acicatam os traços de violência de género a níveis intoleráveis tornando os corpos das mulheres despojos de guerra, a pobreza torna-se endémica, a vida deixa de fluir de forma normal e tudo deixa de fazer sentido. A voz da guerra é a negação da vida humana e as mulheres e as crianças, assim como os/as idosos/as e as pessoas com vulnerabilidades são as que sofrem mais intensamente com ela.

    Neste 8 de Março, dia em que lutamos na rua pelo muito que há a fazer, mas também celebramos as imensas conquistas das mulheres e do movimento feminista, nós, feministas, não podemos deixar de juntar o nosso clamor às mulheres de todo o mundo, não esquecendo as mulheres ucranianas e russas que se opõem à guerra. Quando o agressor invoca “os valores tradicionais” que quer defender quando invade a Ucrânia, sabemos o que isso quer dizer: violência sobre quem se lhe opõe, defesa dos valores do sistema patriarcal e hetero-normativo, ou seja, a manutenção da desigualdade de género e a opressão das mulheres.

    Neste 8 de Março, nós, feministas, temos que juntar as nossas vozes e as nossas forças mostrando que queremos a Paz, que nos opomos à guerra, ao militarismo, ao autoritarismo e ao patriarcado. Hoje, mais do que nunca, quando o mundo avança para uma guerra insuportável, nós, feministas, temos de nos unir e juntar forças para parar a guerra.

    Neste 8 de Março, a FEM – Feministas em Movimento junta-se às mulheres de todo o mundo na luta pela paz e na resistência contra a guerra.

    Viva o 8 de Março!

    Sim à Paz! Não à Guerra!

O Lugar da Mulher é onde ela quiser
  • Comemoramos neste ano os 50 anos do 25 de Abril. Muito mudou em Portugal desde então nas vidas das mulheres e muito está ainda por conquistar. Com o 25 de Abril as mulheres saíram à rua e os direitos alcançados foram obra sua – das creches ao direito ao divórcio, da luta pela despenalização do aborto à participação política – tantas e tão variadas lutas que se prolongaram por estes 50 anos e ainda hoje esão na ordem do dia. As associações de direitos das mulheres, entretanto criadas, contribuíram e contribuem para colocar na agenda política a igualdade entre mulheres e homens e as revindicações feministas para uma sociedade sem discriminações e sem violência.

    Hoje constatamos que há quem queira fazer retroceder a História da Humanidade e das mulheres em particular. E nada melhor que fazer passar a ideia de que as políticas públicas para a Igualdade sáo um luxo e um sorvedouro de dinheiro.

    A FEM – Feministas em Movimento – repudia este pensamento que mais não visa que culpar as mulheres e confiná-las a uma posição subalterna, refletindo o conservadorismo e o atraso que era o retrato de um Portugal antes do 25 de Abril a que não queremos regressar. Rejeitar a Igualdade de Género é apoiar as discriminações, é rejeitar o combate à violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os/as idosas. Todos os dias há quem não poupe esforços nem energia neste combate de civilização, nomeadamente as muitas associações onde a FEM, com orgulho, se situa.

    Continuaremos a luta contra a violência contra as mulheres e doméstica, pela igualdade salarial, contra a homofobia e a transfobia, por uma vida digna para todas as pessoas. A luta pela Igualdade de Género e pelos direitos é uma luta com muito caminho por fazer e de que não abdicamos.

     

    Janeiro 2024

    A Direção da FEM – Feministas Em Movimento

Imagem quadrada com fundo lilás. Em cima, do lado direito, o logotipo da Greve Feminista Internacional. Do lado esquerdo, a letras brancas Agenda, A caminho do 8 de março. De seguida, em formato de lista, a letras brancas: 25 Fev. 18h - Feministas.pt - Casa do Brasil, Lisboa - Atualidade da luta pelo direito ao aborto 28 Fev. 19h - Por Todas Nós - Transmissão online - Igualdade de Género no Desporto 3 Mar. 15h-17h - Manas e Insurgentes - Workshop de escrita criativa, motes e fanzine - Sirigaita, Lisboa 3 Mar 18h - Feministas em Movimento - Biblioteca de Alcântara, Lisboa - Feminismos antes do 25 de abril de 1974 4 Mar 21h - ILGA Portugal - Centro LGBT - Por um 8M mais Transfeminista 5 Mar. 18h30 - A Coletiva - Coral de Letras, Porto - Feminismo e Cuidados 6 Mar. 21h - Desafiantes e MTS - Sexualidade como um direito: os caminhos para o prazer Ao fundo, uma barra branca, com as hashtags, a roxo, 8Marco2022, GreveFeminista2022, SeNosParamosOMundoPara. Estamos juntas na luta e nas ruas! Vemo-nos no dia 8 de março!
Nota à imprensa A FEM – Feministas em Movimento congratula-se por, ao fim de 48 anos de Democracia e precisamente na altura em que assinalamos mais dias vividos em Democracia do que em Ditadura, finalmente, o Governo da República ser constituído por igual número de mulheres e homens – um governo paritário. A luta pela participação das mulheres nos mais variados sectores da sociedade, contra a invisibilidade a que são votadas e pelo fim dos obstáculos a que ocupem cargos políticos e/ou públicos, vem de longe, é uma luta que tem as suas raízes na Democracia e na Igualdade de Género. A constituição de um Governo da República paritário é um importante contributo para desconstruir estereótipos e combater discriminações. Aguardamos a comunicação sobre a orgânica do Governo para nos pronunciarmos sobre a tutela das políticas públicas para a Igualdade.
Lisboa, 26 de Março de 2022
  • Comemoramos neste ano os 50 anos do 25 de Abril. Muito mudou em Portugal desde então nas vidas das mulheres e muito está ainda por conquistar. Com o 25 de Abril as mulheres saíram à rua e os direitos alcançados foram obra sua – das creches ao direito ao divórcio, da luta pela despenalização do aborto à participação política – tantas e tão variadas lutas que se prolongaram por estes 50 anos e ainda hoje esão na ordem do dia. As associações de direitos das mulheres, entretanto criadas, contribuíram e contribuem para colocar na agenda política a igualdade entre mulheres e homens e as revindicações feministas para uma sociedade sem discriminações e sem violência.

    Hoje constatamos que há quem queira fazer retroceder a História da Humanidade e das mulheres em particular. E nada melhor que fazer passar a ideia de que as políticas públicas para a Igualdade sáo um luxo e um sorvedouro de dinheiro.

    A FEM – Feministas em Movimento – repudia este pensamento que mais não visa que culpar as mulheres e confiná-las a uma posição subalterna, refletindo o conservadorismo e o atraso que era o retrato de um Portugal antes do 25 de Abril a que não queremos regressar. Rejeitar a Igualdade de Género é apoiar as discriminações, é rejeitar o combate à violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os/as idosas. Todos os dias há quem não poupe esforços nem energia neste combate de civilização, nomeadamente as muitas associações onde a FEM, com orgulho, se situa.

    Continuaremos a luta contra a violência contra as mulheres e doméstica, pela igualdade salarial, contra a homofobia e a transfobia, por uma vida digna para todas as pessoas. A luta pela Igualdade de Género e pelos direitos é uma luta com muito caminho por fazer e de que não abdicamos.

     

    Janeiro 2024

    A Direção da FEM – Feministas Em Movimento

3 março_ apresentação pública do documento de investgação "Feminismos antes do 25 de abril de 1974 (Portugal 1890-1949)" na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa. O evento contou com a presença de: Sandra Ribeiro, Presidente da CIG, Elisabete Brasil, presidente da FEM e coordenadora do projeto e das investigadoras Ana Ribeiro e Mariana Lagarto.
A iniciativa integrou o programa de mobilização coletiva para o dia da Greve Feminina Internacional "A Caminho do 8 de março".
4 março_ visita da Vereadora Laurinda Alves, responsável pelos pelouros Direitos Humanos e Sociais, Cidadania, Juventude e Saúde, à Estrutura de Atendimento Lisboa + Igualdade: Atendimento e Prevenção da Violência Doméstica e de Género.
8
Dia Internacional das Mulheres
a FEM emitiu o comunicado Resistir à Guerra - Lutar pela Paz

4ª edição da Greve Feminista Intenracional, sob o lema "O lugar da Mulher é onde ela quiser".
Com a participação de mais de 20 coletivos e associações que convocaram marchas e concentrações por todo o país.

Vanise Lima, em representaçao da FEM, participou na Roda de Conversa com o tema "A luta das mulheres pela igualdade é a luta contra as múltiplas discriminações" a convite da Vereador Beatriz Gomes Dias - na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, Câmara Municipal de Lisboa.

Elisabete Brasil participou, num debate específico na Assembleia Municipal do Funchal, tendo como objetivo a contribuição para o combate à desigualdade e a eliminação das várias formas de violência do género.
Elisabete Brasil participou na iniciativa "Conversas sem Tabus", com o tema "Violência(s) contra as Mulheres", iniciativa promovida pelas Mulheres Socialistas da Madeira.
11 março_ Helena Pinto e Patrícia Alves, participaram em representaç
ao da FEM, numa sessão sobre violência doméstica na Escola Básica de Ourém, a convite das professoras Graça Martins e Lúcia Oliveira, com várias turmas. Para além da conversa as alunas e alunos apresentaram vários trabalhaos alusivos ao tema.
14 março_ reunião do grupo RADAR - Rede de Apoio a Pessoas Idosas Vítimas de Violência Doméstica e/ ou Maus Tratos Institucionais do Concelho de ALmada, com participação de Elisabete Brasil. A RADAR é uma parceira entre o Grupo Concelhio para a Pessoa Idosa de Almada e entidades locais orientada para a problemática da violência contra pessoas idosas, Vítimas diretas e/ ou indiretas de violência doméstca e institucional.

Almerida Bento participou em representação da FEM, na conferência de encerramento do
projeto "Os Benefícios Sociais e Económicos da Igualdade Remuneratória entre Mulheres
e Homens"
, no ISEG - Lisbon School of Economics & Management.
15 março_ Reunião do grupo restrito do II Plano Municipal de Prevenção e Combate à Violência Contra as Mulheres, Violência Doméstica e de Género, do Município de Lisboa.
17 março_ Lançamento do livro “Grande Livro sobre a Violência Sexual – Compreensão, Prevenção, Avaliação e Intervenção” com coordenação de Rute Agulhas e da psicóloga Alexandra Anciães, colaboradora da Estrutura de Atendimento Lisboa + Igualdade: Atendimento e Prevenção de Violência Doméstica e de Género.
22 março_ 3.ª ação de formação Enquadramento jurídico no crime de violência doméstica, codinamizada por Elisabete Brasil e Rui do Carmo, dirigida a profissionais da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo – ARSLVT, no âmbito do Programa Nacional de Prevenção da Violência no Ciclo de Vida.
26 março_ Nota à Imprensa, pela FEM, de congratulação pelo primeiro governo paritário em Portugal.
30 março_ Elisabete Brasil participou em representação da FEM, na Assembleia Geral da Estação Cooperativa CRL, Oficinas do Convento, Convento de São Francisco, Montemor-o-Novo e em plataforma jitsi.

Reunião temática sobre violência “À conversa com Elisabete Brasil” de acompanhamento aos projetos CLDS 4G – POR Lisboa e POISE – Distrito de Setúbal, com Elisabete Brasil em representação da FEM. Organização CDSS Setúbal.
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homenagem a Maria de Lourdes Pintassilgo nos 90 anos do seu nascimento _ 17/01/2020 | Tolerância Zero - end FGM | Violência doméstica em tempo de quarentena
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