LUTEGARDA GUIMARÃES DE CAIRES

1 – Nome conhecido / Nome civil

Lutegarda Guimarães de Caires/ Luthegarda Guimarães de Caires

 

2 – Local, data de nascimento / Local, data de morte[1]

Vila Real de Santo António, 17 de novembro de 1858/ Lisboa, 30 de março de 1935

 

3 – Profissão / cargo / função / ocupação

Escritora, Socióloga, Filantropa

 

4 – Relação com organizações feministas

Associação de Propaganda Feminista (1911-1918)[2];

 

5 – Eventos feministas em que participou / foi nomeada para participar

Eleita para integrar o grupo que deveria representar as feministas portuguesas no 7.º Congresso da International Women Suffrage Alliance, em Budapeste (15 a 20 de junho, 1913).

 

6 – Publicações de teor feminista (autoria, entrevistas)

 

7 – Sociabilidades, correspondência com outras feministas

 

 8 – Manifestações de reconhecimento público (incluindo toponímia), prémios, condecorações

Primeira classificada nos jogos florais hispano-portugueses de Ceuta com o poema “Florinha das Ruas”;

O governo do Brasil conferiu-lhe, em 1922-1923, a medalha de prata pelo conjunto da sua obra literária;

Recebeu, em outubro de 1931, o grau de Oficial da ordem de Benemerência, em homenagem à sua obra filantrópica[3];

Foi condecorada com a Ordem de Santiago da Espada;

Em 1937 foi atribuído o nome Luthgarda Caires ao primitivo Largo da Fonte, em Vila Real de Santo António;

A 3 de abril de 1966, por iniciativa da Casa do Algarve, foi inaugurado busto na Avenida da República, em Vila Real de Santo António.

Em Faro, na freguesia de Vila Nova de Cacela existe a rua Lutgarda Guimarães de Caires.

9 – Espólios

Existe espólio doado por familiares de Lutegarda Caires à Casa do Algarve, em Lisboa.

 

10 – Elementos biográficos do percurso de vida, incluindo moradas: sumário

Lutegarda Guimarães de Caires (17/11/1858[4], Vila Real de Santo António; 30/03/1935, Lisboa)

Escritora, socióloga, ativista dos direitos das mulheres e crianças e filantropa, deve-se a Lutegarda Guimarães de Caires (1858-1935) a existência de o Natal dos Hospitais, obra de intervenção social que perdura. Nasceu no Algarve, em Vila Real de Santo António. Casou e enviuvou cedo e perde a sua filha na infância, tragédias que vão ser tema recorrente na sua obra literária. Já a viver em Lisboa conhece João de Caires, natural da Madeira, com quem casa e que acompanha para Óbidos, quando ali é colocado como juiz e, depois para Alcobaça, onde nasce o filho Álvaro Guimarães de Caires, a 5 de abril de 1895.

Fruto da sua formação voltada para as artes com destaque para a interpretação musical e poesia, é uma figura com destaque na cena cultural do seu tempo, gostos que partilha com o marido, sendo anfitriões de saraus literários regulares. Defende o alargamento dos direitos civis das mulheres, nomeadamente, que dispusessem dos seus bens após o casamento, e os direitos políticos das mulheres instruídas, ideias que propugna em palestras e em artigos que publica a partir de 1905[5]. Embora defensora da monarquia constitucional, em 1911, é convidada pelo ministro da Justiça republicano, Diogo Leonte, a propor melhorias de caráter social tendo, neste âmbito, realizado estudos e proposto reformas com destaque para a melhoria das condições higiénicas das mulheres nas prisões.

Em 1913, é eleita para integrar a comitiva portuguesa no 7.º Congresso da International Women Suffrage Alliance, em Budapeste (Esteves, 1998). Era visita regular do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde ofertava às crianças internadas brinquedos, doces e roupas que confecionava. Esta terá sido a génese do Natal das Crianças dos Hospitais, que funda, em 1924, posteriormente alargado a todas as pessoas hospitalizadas (Simeão, 2005).

Fruto das emissões televisivas, o Natal dos Hospitais vem a tornar-se um acontecimento nacional, símbolo de generosidade. Lutegarda faleceu em Lisboa, na sua residência (Av. da Liberdade, 53, 1.º drt.), sendo sepultada em jazigo de família no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa[6].

11 – Fontes bibliográficas primárias

12 – Fontes bibliográficas secundárias

BÓLEO, Maria Luísa V. de Paiva (1997) – Lutegarda de Caires e o Natal dos Hospitais. «Revista Pública», n.º 82. O Público, 2833, de 14 de dezembro.[7]

ESTEVES, João (1998) – As Origens do Sufragismo Português. A primeira organização sufragista portuguesa: A Associação de Propaganda Feminista (1911-1918). Lisboa: Bizâncio.

SIMEÃO, Maria Rosalina Bento (2005) – Luthegarda Guimarães de Caires. In CASTRO, Zília Osório; ESTEVES, João, dir.Dicionário no Feminino. Séculos XIX e XX. Lisboa: Livros Horizonte, p. 538-541.

Wikipedia (2021), https://pt.wikipedia.org/wiki/Lutegarda_Guimarães_de_Caires

 

13 – Fontes Iconográficas e Audiovisuais;

– Lutegarda Caires (foto de busto em Vila Real de Santo António)

https://s3.amazonaws.com/gs-waymarking-images/f5ef97b5-2c6a-49bc-acd8-c275b5a99e98.jpg

– Foto de Lutegarda Caires https://promontoriodamemoria.blogspot.com/2020/06/caires-luthgarda-de.html

– Foto e texto biográfico sobre Lutegarda Caires

– Texto biográfico sobre Lutegarda Caires e fotos de capas dos seus livros: https://www.leme.pt/biografias/l/lutgarda.html

 

13a) – Foto de Perfil

http://mulheresilustres.blogspot.com/2014/08/lutegarda-de-caires.html

NOTAS:

[1] Na entrada da Wikipedia (2021), dedicada a “Lutegarda Guimarães de Caires” são mencionadas várias datas/lugares que diferem da entrada no Dicionário no Feminino (2005), aqui adotados por indicar fontes documentais.

[2] Lutegarda Caires surge com o n.º 40 na lista com 63 nomes de sócias da APF apresentada por Esteves, 2008, p. 185-194; no entanto, a investigadora Maria Rosalina Bento Simeão (2005) sublinha que esta não estava filiada em qualquer organização e que recusou “colocar-se sob a bandeira do feminismo” (p. 541) embora, na prática defendesse e praticasse os ideais feministas (Idem).

[3] Cf. Arquivo Histórico da Presidência da República: “Proposta do Ministro do Interior, de 12 de agosto de 1931, para o grau. de Oficial. Publicado no Diário do Governo n.º 230, de 5 de outubro de 1931”. Consultado em Wikipedia (2021).

[4] Fonte consultada indica consulta do Livro de registo de batismos da Paróquia de Nossa Senhora da Encarnação de Santo António (1876) do Arquivo Distrital de Faro, cf. Wikipedia (2021): https://pt.wikipedia.org/wiki/Lutegarda_Guimarães_de_Caires

[5] Procurar artigos em: O Século, Diário de Notícias e A Capital (Simeão, 2005, p. 539) e Serões. Revista Mensal Ilustrada.

[6] Cf. Livro de Registo de óbitos da 7ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1935-01-01 a 1935-06-20). Arquivo Nacional da Torre do Tombo p. 119 verso, assento 238. Consultado em Wikipedia (2021).

[7] Uma versão atualizada deste artigo pode consultar-se em: https://www.leme.pt/biografias/l/lutgarda.html

Este trabalho, para efeitos de citação:

RIBEIRO, Ana (2021) – Lutegarda Guimarães de Caires. In BRASIL, Elisabete; LAGARTO, Mariana; RIBEIRO, Ana (2021) – Feminismos antes do 25 de Abril de 1974 (Portugal 1890-1949). Lisboa: FEM, p. 121-124.