O nosso ponto de encontro chama-se solidariedade

O mês de Novembro traz consigo 16 dias para destacar o ativismo contra a violência sobre as mulheres. Trata-se de uma iniciativa da ONU para dar maior visibilidade a esta luta, uma luta diária, em todos os continentes, em todos os países.

As disparidades sobre as condições de vida das mulheres são enormes, sejam elas económicas e sociais, sejam no campo dos direitos humanos. Estes 16 dias de ativismo colocam o foco na violência sentida pelas mulheres por serem mulheres – da violação à violência conjugal, do assédio às restrições da liberdade no acesso ao trabalho, à educação, à cultura, como vivem a sexualidade, na forma como se vestem, como socializam. E apenas e só porque são mulheres.

Já era tempo de termos ultrapassado estas situações de opressão, já era tempo da igualdade de direitos entre mulheres e homens ser uma coisa normal, fazer parte do dia a dia dos países, dos povos, ser um facto indiscutível da civilização. Mas não. Continuam a existir situações a que não devemos fechar os olhos que violentam mulheres e meninas diariamente. Do Irão tem-nos chegado o exemplo de uma luta corajosa de quem se ergue contra a opressão mesmo correndo o risco de vida. Da Ucrânia chegam relatos de violações de mulheres, na Palestina as mulheres resistem nos escombros dos bombardeamentos, da América Latina vem o entusiasmo pelas conquistas no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, nomeadamente o direito ao aborto em alguns países (finalmente!).

O século em que vivemos, o XXI, iniciou-se sob a égide da luta das mulheres. Foi no já longínquo ano de 2000 que teve lugar a Marcha Mundial das Mulheres com realizações em todos os continentes e em muitos países. Os seus objetivos mantêm-se dramaticamente atuais – a luta contra a pobreza e a luta contra a violência sobre as mulheres. Mas este movimento também mostrou como a luta feminista, a luta dos movimentos de mulheres, não fica dentro das fronteiras do país onde ocorre, bem pelo contrário, origina movimentos de apoio e solidariedade muito variados, que interagem entre si e não raras vezes criam outras dinâmicas.

Quando recordamos a greve das mulheres islandesas, realizada há 40 anos, por salário e direitos iguais e a forma como pararam um país, percebemos como a solidariedade e a união são fundamentais.

Estes 16 dias de ativismo também servem para isso – ponto de encontro das muitas lutas nos vários pontos do Mundo. Solidárias com todas, não deixemos nenhuma mulher para trás!

Helena Pinto

animadora social, feminista